quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Quadros que contam contos...


Acontece que à noite quando o seu filho pede para contar-lhe um conto de fadas, tem problemas em inventar histórias novas? Faltam ideias?

Um quadro no quarto infantil pode ser inspiração para contar histórias e ilustração das mesmas, neste artigo apresentamos o conto sobre a Joana, uma história inspirada no nosso quadro ("Bom dia", no. 64842 no catálogo da bimago). Este conto é apenas um exemplo de como os quadros infantis podem estimular a imaginação das crianças. As personagens dos quadros podem tornar-se amigos da criança que sempre ajudar-lhe-ão adormecer, todas as noites trarão novas aventuras contadas pela mãe ou pelo pai.

Bem-vindo no país das maravilhas dos nossos quadros! Veja como é fácil contar uma história e tente inventar a sua.

O mundo da Joana

Era uma vez uma menina chamada Joana. A Joana vivia numa casinha na margem da floresta no país da Bimagolândia. Na Bimagolândia viviam muitas crianças, havia um jardim-de-infância, um pátio de recreio, um circo e um parque de diversções com um carrossel colorido.

Quando a Joana voltava do jardim-de-infância a casa gostava de brincar com as suas amigas, pulava a corda logo baloiçava no baloiço. Depois de merendar a Joana passeava pela floresta com a mãe e com o seu cão, Bimaguinho. Ali, na casinha velha rodeada pelas árvores, vivia a vovó da Joana e a Joana visitava-a umas vezes por semana.

Um dia bonito à tarde a Joana saiu da casa da avó para brincar com o Bimaguinho. De repente o caezinho começou a ladrar de maneira alegre, saltou e desapareceu nos arbustos. A Joana intrigada pelo comportamento do Bimaguinho correu pela floresta atrás dele. Parou ante um tronco da árvore velha dentro do qual ouvia-se os ladridos alegres do cão. A Joana olhou para dentro do tronco e apareceu na clareira mágica...

Viu um ursinho a chorar baixinho, ao seu lado estava o Bimaguinho a abanar o rabo. O ursinho parecia não se dar conta do que o cãozinho estava ao lado e continuava sentado com os ombros encolhidos.
A Joana ficou curiosa qual era a causa da tristeza do ursinho. Chegou ao ursinho e perguntou de maneira tímida:
- Bom dia, Dom Ursinho, que é que aconteceu?
O Ursinho parou de chorar durante um momento, suspirou e disse com tristeza:
- Estive a brincar às escondidas com a minha amiga Zebra e perdi-me.
- Não chores, Ursinho - disse a Joana - Eu e o meu cão Bimaguinho ajudar-te-emos encontrar a tua amiga.
O Ursinho levantou-se animado e disse:
- Estou tão alegre que vos encontrei! Chamo-me Bruno e vivo com a minha mãe doutro lado do Vale Verde. Não sei como voltar a casa porque é a zebra quem conhece o caminho, ela sabe bem todos os lugares nesta floresta e eu não visito esta parte do vale com muita frequência.

A Joana pensou um momento e perguntou o Bimaguinho:
- Ó cãozinho, consegues encontrar o traço da Dona Zebra?
O Bimaguinho abanou o rabo, ladrou com alegria e comecou a cheirar ao redor da árvore. De repente parou e comecou a ladrar.
- Olha Bruno, o meu cão deparou-se com o traço, vamos seguí-lo!
O Bruno e a Joana correram atrás do Bimaguinho pelo caminho torto na floresta. Correram pelas duas colinas até se encontrar ao lado dum rio pequeno. Aqui o Bimaguinho parou e chiou com tristeza.
- Ai! Parece que o Bimaguinho perdeu o traço da Dona Zebra... - disse a Joana
- E agora, que fazemos? - suspirou o Bruno.
- Oláaaa amiiiiigos! - palrou o papagaio colorido que apareceu por lá e sentou-se num ramo do sobreiro - de oooooonde vêm?
- Bom dia, Dom Papagaio - respondeu a Joana educadamente. - Estamos a procurar a amiga do Ursinho Bruno, ela é a única pessoa que sabe como se va a casa dele. Não passou por aqui a Dona Zebra?
O Bruno esclareceu:
- A minha amiga zebra chama-se Fiona. Viu a Fiona por acaso?
- Queridos - disse o papagaio - Chamo-me Paulo e há um momento cheguei da Bimagolândia. Lamento mas não encontrei a Fiona pelo caminho mas podem perguntar a lagarta verde, a Inma que é uma querida que vive debaixo da pedra ao lado do rio. Seguem a margem do rio até encontrarem uma pedra grande e castanha. Sorte! - Gritou o Paulo e voou rumo à clareira.

A Joana, o Bimaguinho e o Bruno, foram com o fluxo na procura da pedra castanha. A caminho encontraram um grupo dos patos a grasnar.
- Porque é que estão a fazer tanto barulho, queridos patinhos? - perguntou a Joana.
- Não conseguimos concordar qual de nós tem as penas mais bonitas.
- As minhas penas brilham mais! - gritava a Lili,
- Não é verdade! - disse a Lola - As minhas são as mais bonitas, porque são as mais compridas!
- Não, Não, Não! - interrompeu o Lulu - Eu tenho as penas mais bonitas porque são as mais fofas
- Au au! - ladrou o Bimaguinho para acalmar os patinhos barulhentos. A Joana riu com alegria e disse:
- Vocês todos têm as penas igualmente bonitas. Tu tens as penas mais compridas porque há um momento saiste do rio e por causa do pesso da água tens as penas mais compridas. Tu, querido pato, tens as penas mais brilhantes, porque ficaste na beira e o sol secou as penas. E tu, pato, tens as penas mais fofas porque há um momento abanaste as asas para tirar a água e agora estão a secar.

Os patos olharam um para o outro e ficaram calados de vergonha.
A Joana acrescentou:
- Não fiquem tristes, na verdade todos vocês têm penas lindíssimas.
- Meus queridos - disse o Ursinho Bruno. - Sabem onde é que mora a lagarta Inma?
- Sabemos, sim! - grasnou a Lili. - Vão sempre em frente até a curva do rio. Ali encontrarão uma pedra grande e castanha.
- Obrigado, queridos patos! - disse o Bruno na despedida - Bom dia para vocês!

A Joana e o Bruno seguiram o Bimaguinho, finalmente encontraram a pedra mencionada pelos patos e pelo papagaio. O Bimaguinho já estava na pedra quando a lagarta Inma, muito assustada, saiu dum buraco debaixo da pedra.
- Aiaiai! Tanto barulho! Quem es tú, menina?
- Bom dia, Dona Lagarta - disse a Joana - Este é o meu cão, o Bimaguinho, vimos com o ursinho Bruno a visitar a Senhora porque estamos a procurar a zebra Fiona. Viu-a por aqui?
A lagarta suspirou com alívio, porque teve medo dos animais selvagens.
- Bem-vindos, amigos - sorriu - hoje de manhazinha, quanda estive a comer as folhas doces do vidoeiro, veio a Zebra para beber a água do rio. Estive a mastigar as folhas e a zebra tornou-se para mim e deu uma risadinha:
- Olá, Dona Lagartixa, bom apetite!
- Porque é que está tão alegre? - perguntei
- Estamos a brincar à escondidas com o Ursinho Bruno e agora é omeu turno para me esconder. O ursinho está no tronco a contar até dez assim que tenho pouco tempo para encontrar um bom esconderijo. Até logo Dona Lagarta! - disse a zebra e desapareceu na direcção da clareira. Assim que, meus queridos, têm de se dirigir à clareira – acrescentou a lagartixa Iga.
O Bruno suspirou com alívio: ficou muito contente que tinham um novo traço da Zebra. Todos: o Bruno, a Joana e o Bimaguinho partiram na direcção da clareira.

Era primavera, o dia era lindo, a clareira estava coberta de flores que resplandeciam nos raios de sol. Quando estavam na margem da clareira a Joana avistou a girafa orgulhosa
- Olha Bruno! – vamos lá perguntar a Dona Girafa se por acaso não encountrou a Zebra Fiona .
- Bom dia, Dona Girafa – disse o Bruno – estamos a procurar a minha amiga Fiona que é uma zebra do Vale Verde.
- Não presto muita atenção ao que está lá em baixo, aqui em cima há tanto espaço e as vistas são tão espectaculares! - respondeu com altivez a Dona Girafa.
A Joana entristeceu e disse:
- Bruno, Bimaguinho, vamo-nos embora! A Dona Girafa nã vai ajudar-nos.
O Bimaguinho rosnou nervoso e ladrou para dizer adéus.
A girafa olhou para baixo da clareira e disse:
- Alí em baixo, para doutro lado da clareira vejo uma tenda grande e colorida. Se calhar alí encontrarão a vossa amiga.

A Joana e os seus amigos ficaram tão alegres que correram depressa para procurar a tenda. Quando quase estavam lá a Joana reconheceu o lugar
- Já sei, já sei! – gritou a menina – é o circo do palhaço Bonifácio da Bimagolândia!
O Bimaguinho alegre correu depressa até a tenda e começou a cheirar a entrada.
- Ó Bruno! – disse a Joana – O Bimaguinho sentiu qualquer coisa. Talvez seja o lugar onde se escondeu a Fiona?
O Bruno e a Jona espreitaram pelo buraco na tenda.

O circo estava barulhento o palhaço Bonifácio estava a ensaiar os truques novos e ao lado dele estava o ratinho Nelson.
A Joana ficou alegre ao ver o Bonifácio e correu dentro da tenda.
- Bom dia, Dom Bonifácio, como está?
- Bom dia, Joana, que é que aconteceu que vieste para me visitar? – respondeu o Bonifácio surpreendido.
- Estive com o Bimaguinho na casa da avó e encontrei na floresta o ursinho Bruno. O ursinho é triste porque perdeu a sua amiga, Fiona que é uma zebra do Vale Verde. Não a viu por acaso?
Neste momento o ratinho saltou da corda e entrou na conversa.
- Olá Joana, vá a casa dos porquinhos que fica atrás da tenda. Há pouco vi a zebra a conversar com o porquinho Mumio.
- Óptimo! Obrigada, Ratinho Nelson! – respondeu a Joana e saiu depressa da tenda.
O Bruno e o Bimaguinho estavam lá, na relva, cansados e sem forças.
- Meus amigos, vamos lá a casa dos porquinos que fica atrás da tenda. Alí está a nossa Fiona perdida! – disse a menina com alegria.

Realmente, ao lado da casa do porquinho Mumio, estava a Fiona a despreguiçar-se na relva. O porquinho Mumio roncou contente por estar tomar banho de lodo.A Joana e o Bruno foram ao encontro deles e o Bimaguinho fartou-se de ladrar correndo arredor da Fiona.
- Oláaaa Bruno! - gritou a Fiona com alegria. - afinal encontraste o meu esconderijo!
O Bruno respondeu enfadado:
- Ó Fiona, se não for pela ajuda da minha amiga Joana e do cão dela, o Bimaguinho, nunca mais te encontrava! O nosso jogo foi para ser na floresta e tu fugiste muito longe.
A Joana acrescentou:
- O Bruno ficou muito triste porque esteve a procurar-te durante muito tempo e não conseguia encontrar-te. O Bruno não sabe como voltar a casa, ao vale Verde...
- Aiaiai, é verdade! - gritou a Fiona com medo - Bruno, perdoa-me! O dia foi tão bonito, o sol a brilhar, as ervas a cheirar... Foi correndo alegremente pela floresta, pela clareira, e quando encontrei o porquiho Momo comecamos a falar e esqueci o mundo. Já é tarde e a tua mãe deve estar a ficar preocupada. É melhor voltarmos ao Vale Verde.

A Joana despediu-se do Bruno, da Fiona, do porquinho Mumio, do ratinho Nelson e do palhaço Bonifácio. Combinaram para se encontrarem no dia a seguir junto ao tronco da árvore ao lado da casa da avó da Joana. O Bimaguinho ladrou alegremente e mergulhou nas folhas da floresta. A Joana correu atrás dele e chegou até o tronco velho bem conhecido. Olhou para dentro e...
acordou na sua cama com o Bimaguinho a roncar ao seu lado. Olhou para cima e viu todos os seus amigos que olhavam-na através do buraco no tronco. A menina sabia que a aventura ainda não acabou...

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